segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Só mais um normal

Ele queria, mais que tudo, conseguir se expressar além do comum. Que o mundo soubesse o que ele era, o que almejava, e o que sentia. Pensou em ser um daqueles músicos que com um acorde dizem mais que mil caracteres; ou um fotógrafo que conseguisse captar, em um frame, sentimentos inexplicáveis verbalmente. Viu-se na vontade de tentar. Só que a música simplesmente não saía, as fotografias não diziam nada além do próprio momento. E como haveria-se então, de congelar o não estático?

Quem sabe dançar? Ouve-se a séculos que a dança é a linguagem oculta da alma. E coisa oculta é o que não lhe faltava. O problema é que cada passo seu parecia um movimento descompassado tentando soar rítmico diante de uma necessidade. Mas aquilo tudo não era por necessidade, então teria que ser de outro jeito. Tentou então escrever livros, teatros, coisas assim, descondensando o simples do seu sentimento em razão do entendimento. Preciso confessar, saíram bons trabalhos. Mas o sentimento continuava com ele, e existia cada vez mais uma vontade enorme de transcrevê-lo, afinal coisas tão bonitas precisam ser divididas.

Para falar bem a verdade, ele tentou de tudo. Tudo mesmo. Pintura, escultura, flores, festas, bebidas, ajuda de amigos. Não havia nada que pudesse fazer com que ele encontrasse seu caminho. Inexplicavelmente fadado à incapacidade. Não havia arte que pudesse salvá-lo, não havia sentimento que conseguisse extravasar. Uma gaiola de ouro para um passarinho que só conseguia ser ouvido por ele mesmo.

E no auge de tanta tristeza, encontrou um olhar. "É ela!", pensou. Era ela.
Percebeu então que não precisaria tentar dizer mais nada, nunca, e mesmo assim ela entenderia.

(Evelise Kowalczyk dos Santos)

domingo, 4 de outubro de 2009

Sem sequer...

É muito fácil falar do outro, dizer que é loucura, perguntar se temos certeza daquilo que almejamos fazer. Fácil pois não precisa de embasamento, fácil porque não se sabe o que o outro faz/sente para suprir todos os defeitos que você aponta como se fossem insuperáveis. Muito cômodo, muito inútil. Tudo no hiperlativo mesmo, que é como a gente se sente quando se depara com acontecimentos assim.

Muito triste, amedrontador. Concluo isso por achar maldade alguém pensar e apontar justamente o pior, sem nem saber o que acontece na nossa vida, sem nunca ter perguntado como nos sentimos em relação às coisas, e mesmo assim julgar. E quem é que nunca se sentiu assim, afinal? Sempre tem aquele um para apontar dificuldades, colocar você para baixo, seus planos ao chão, sem nem ao menos ter se preocupado em saber porquê você acha que conseguirá lidar com aquilo à que se propõe. Chamem de conselho, chamem de preocupação, chamem o que quiserem. Nada muda o fato de que alguma pessoa sempre te quer agindo como ela agiria. Assim como nada muda também o fato de cada um de nós carregarmos nossas próprias experiências e cada um saber do seu, quando muito. Ninguém precisa beber a vida da mesma fonte, e para ficar perto de uma mesma fé não frequentamos todos as mesmas igrejas, assim como para a gastronomia nem todos os mesmos restaurantes. É aí que reside a beleza da diversidade.

Bom, se até sobre as nossas vidas temos dúvidas, porquê deduzir que podemos entender tudo da vida alheia? E pior: agir como se devêssemos ser operadores de milagres nos outros. Tudo isso sem a mínima empatia. Não entro no mérito de cada especificidade, mas a questão é: como e quando é que desenvolvemos a incrível capacidade de nos desligar do nosso e preocupar no outro? E até onde se julga o outro considerando as nossas experiências, e até quando se pára e pensa na vida dele sem conhecimento algum de tudo isso? Porque convenhamos, falar de poesia à um qualquer, tudo bem, mas e se fôssemos falar com Cecília (Meirelles), agiríamos da mesma maneira? Ninguém sabe se o outro realmente não pensou naquilo ainda, e se você não está sendo invasivo, ao demonstrar 'preocupação'. Não se pode falar dos sentimentos alheios sem saber de antemão o que são. E tentar deduzi-los pode ser um tanto quanto errado.

O meu ponto, afinal, é: não entendo como alguma pessoa tem a coragem de achar que entende o que é melhor para a gente sem saber tudo aquilo por que passamos. Diante de muitas coisas que não entendo, essa é a que me faz sofrer no momento. Morro de vontade de dizer que não, não me fale de loucura quando eu sei que estou vivendo a pior maior loucura da minha vida. Loucura porque acredito, porque sinto falta, porque não consigo entender como, mas estou aqui; com a maior vontade de viver em função da minha crença. Sei que não há problema algum querer sentir mais do que posso explicar. Enfim, é facil alguém vir me dizer que estou fazendo algo que pareça loucura, mas loucura pra mim é nao querer ser feliz, por mais arriscado que pareça.

Do nosso sentimento e do nosso mundo, só a gente sabe. E olha lá.

(Evelise Kowalczyk dos Santos)

sábado, 19 de setembro de 2009

"O que faz a memória é a palavra" *

- E como será que as línguas surgiram, afinal?
Ela, aquela figura inquietante, se via estática diante de reflexões como essa.
- Talvez alguém tenha precisado se comunicar, né...
Ele, ironicamente ignorante, sem a mínima vontade de pensar demais no assunto.
O que eles não percebiam, e quem sabe até demorem a perceber, é que a língua (seja ela qual for) é muito mais que aparato. É vida, pulsa, lateja dentro da gente, justo como um coração ou qualquer outro órgão.
- E se eu não soubesse nenhuma língua?
Se perguntando isso, a moça provavelmente sequer cogitou a possibilidade de ver a língua como indispensável. Pobrezinha. Pois bem, se não soubesse nenhuma língua, ela seria como qualquer outro tipo de deficiente - não que deficientes sejam quaisqueres - que existe. Mas pior: por vontade própria.
- Então você não poderia lembrar de muita coisa, tampouco registrar seus pensamentos e saber dos pensamentos que as outras pessoas tiveram e querem dividir.
- Com o que então você quer me convencer de que eu não teria memória, isso?
- Mas é obvio. Explique então como você sobreviveria sem esse lastro, não fosse a língua?
Era quando ela afundava. Até o mais fundo de si mesma que pudesse imaginar. E agonizava, ao perceber que sem o respaldo daquilo que usava deliberadamente, engasgaria. De tanta coisa não feita e dita, tanta oportunidade perdida, experiências não vividas (e divididas). Doía só de pensar.
- Você está certo, acontece que eu nunca tinha parado para pensar nessas coisas.
- Também para isso que a palavra serve, notou? Diga quando alguém pára pra pensar em algo sem o advento da língua?

Finalmente, ela tinha entendido a totalidade de si. Inteira, completamente mergulhada em palavras - ao mesmo tempo que as perdia, involuntariamente. A vida nunca, nunca teria sentido sem a língua, assim como ela não se via senti(n)do sem ele. Logo ela, ambígua, gramaticalmente incorreta, prolixa, sem sentido e por vezes sem coesão alguma.
E justamente por tudo isso, notou; a língua exprime a vida, e talvez ter todos aqueles defeitos não fosse de todo ruim. Afinal, é por cada um de nós ser uma pequena língua, nos reservarmos o direito de particularidades, e sermos conscientes da imperfeição que nos é destinada, que a vida é tão interessante quanto poderia ser.

(Evelise Kowalczyk dos Santos)

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* Esse texto surgiu como 'tarefa' na universidade, depois de termos assistido um vídeo chamado "Língua: Vidas em Português" (co-produção luso-brasileira, sob direção de Victor Lopes). Diante de uma série de enunciados retirados do filme, precisamos desenvolver um gênero textual de nossa preferência. Essa frase que é o título do meu texto, foi dita por Martinho da Vila. Foi uma das tarefas menos tarefas que já fiz, justo como várias outras dessa mesma matéria ;)

Trecho do documentário:

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Um conto nada de fadas.

E eu não saberia dizer como essa sensação tão definitiva não me assustou dessa vez. Passei uma vida toda arranjando motivos para continuar inerte, e justamente quando tinha todos os motivos do mundo, meu coração resolveu esquentar. Por alguém que nem de longe estava no meu livro de contos de fadas, por uma pessoa que era tudo que eu jamais consegui ser. Normal. E exatamente por isso, extraordinário. Não me entendam mal, a normalidade é uma coisa muito incomum hoje em dia.

Eu e você? A grande verdade é que você não fala as coisas certas nos momentos certos o tempo inteiro. Também não me elogia mais do que rimos e conversamos, e não me sufoca mais do que o necessário. Você sabe, melhor do que eu, que o mundo é mesmo estranho, e por mais que eu chore, ele continuará assim, e nem por isso briga ou se entristece com a minha incapacidade de não chorar. Diz, ainda, que seu papel nesse mundo é me fazer feliz e não tem tempo para você mesmo ficar triste ou a chorar. Diz agora, como é que eu teria coragem de ficar triste por mais de umas horas?

Lembra de quando a gente ia para a cozinha? Um parto para você me ajudar, mas pior ainda lhe convencer a sair de perto, apesar de não estar fazendo nada. Simplesmente ali. Sempre insistias em me dizer que qualquer coisa estaria de bom grado, e quando eu decidia fazer berinjela, "aaaah não, berinjela?". Você também nunca se assustou comigo, por mais que eu insistisse em te explicar as minhas milhares de atividades paralelas e excentricidades congêneres. Seja como for, sempre se esforça para me entender e por mais que não me entenda, não discute.

Quando você faz piada e eu fico irritada, não são dez minutos até eu cair em mim e entender que, sem algo puxando de volta, não há condições de seguir. Seria tão pura e simplesmente adoração, unilateral, quase como um altar na sala de estar, sem interação nenhuma que da pessoa com ela mesma e seus pensamentos para com alguém que não pode responder. E é até essa minha momentânea irritação que faz com que eu perceba, afinal, o quão bom é te ter por perto, pois justamente na resposta, nos revelamos tão despreocupados diante da preocupação: por saber que alfinetada nenhuma destruiria uma vírgula do que temos cá dentro de nós.

Logo eu, que sempre perdi meu tempo a pensar em, quiçá, encontrar um príncipe encantado. Quando, contudo, o destino me trouxe você. Só consigo me perguntar o que é que eu fiz de tão bom nesse mundo pra merecê-lo. Porque, veja bem, nem sempre o certo parece certo. Mas conseguimos nos discernir, no meio de tanta coisa. Agora você segue todo tempo me fazendo a pessoa mais feliz do mundo, e mantendo viva a certeza de que nada muda o que veio para ficar. O plural, o nós, a parte que faltava enfim. Sem cansar de repetir que vai aguentar essa estranhazinha pelo resto da vida. E amando até os meus piores defeitos. Não é esforço nenhum para mim retribuir tudo isso, já que seu sorriso completa todo e qualquer espaço que tenha sobrado para a insegurança.

Tudo por que passamos só me faz te amar ainda mais, e ter certeza de que agora, só falta esperar um pouquinho. Sem reino ou coroas, sem castelo, sem fadas madrinhas, sem bruxas, sem cavalo branco, sem armadura, sem dança romântica, sem povo e sem perfeição. E exatamente por isso, extremamente verdadeiro, como toda história real precisa ser. Com todas as pequenas turbulências a que temos direito, que fazem com que a estabilidade seja muito mais valorizada.

Obrigada, Deus. Por um amor terrestre, que em nada foge do que podemos ser um ao outro. Sendo assim, a coisa mais divina que já vi. Chego à conclusão de que é dessa maneira que deve ser mesmo, e que não há nada que eu queira mais nesse mundo do que ser exatamente tudo aquilo que és para mim. Simples, direto, infinito nessa nossa troca incansável.

(Evelise Kowalczyk dos Santos)

domingo, 9 de agosto de 2009

A melhor maneira de aprender, afinal.

Às vezes nos deparamos com aquele menininho medroso do mundo que corre pro pai e/ou mãe à todo instante, e toda vez que chora, os condiciona a agir da maneira que lhe agrada. Muitos ficam brabos, estarrecidos com a situação de mimo, e há gente que até critique esse tipo de comportamento de ambos. A questão aqui não é discutir a validade de tudo isso. É admitir que, como quem não quer nada, pode ser enxerguemos esse menino por toda parte, em todo mundo, e na gente mesmo. O duro, afinal, não é admitir que ele está ali. O realmente difícil é aceitar que somos tão apenas o reflexo dele em um corpo mais desenvolvido. E para isso, só é preciso sentir um fiapinho (por mínimo que seja) de insegurança. Nada demais.

Claro que quando é com a gente a coisa muda de perspectiva. Sentimos o que sentimos porque o mundo é mal (as pessoas então nem se fala), as responsabilidades são muitas, a correria é constante, o tempo é escasso, e a vontade de sumir precisa mesmo vir e nos fazer covardes por uns momentos. Todos os argumentos muito bem inter-relacionados, eu diria. Só que a grande verdade é que estamos diante do menininho outra vez. Seja por que pseudo motivo for, a gente acaba sempre se escondendo atrás de medos consecutivamente, na fútil tentativa de tapar um com outro. Acontece que enquanto o menininho não conseguir crescer, quem cresce é o medo dentro de nós, e é aí que nos precipitamos, cometendo todos os erros que o mundo não esperava. E pode acreditar, ele vai devolver.

Enquanto ele não devolve, não adiantar lamentar, chorar, espernear ou gritar. Nada muda o fato de que o destino é inexorável. Só que não é questão de apenas colocar as coisas no lugar. O que realmente precisamos aprender a fazer, é nos desvenciliar de tudo que não traga fé. Talvez nessa hora entrem os nossos pais, outra vez. A mãe, no acalento e força incondicionais que oferece, e o pai, na incansável vontade de nos mostrar o que fazer (por mais difícil que nos pareça), ao invés de entregar tudo 'consertado', ensinando assim essa pobre criança a lidar com os próprios problemas.

Nesse dia, preciso muito ressaltar que apesar de qualquer coisa, o comportamento de um pai se sobrepõe no que compete à independência do menino. Porém, depois de algum tempo conseguimos enfim vizualizar que a dureza da figura de pai nunca é para machucar, nunca será para prejudicar. É que ele sempre quer ver o menino forte, sem medo diante da vida, para que um dia possa voar sem ele, e o mais importante de tudo: sem cair. O que sempre nos pareceu insensibilidade era, afinal, um pouco de proteção, e talvez até medo também. Quer dizer que os pais parecem mais durões pois querem simular as dificuldades pelas quais vamos passar na vida? Bom, cheguei à conclusão que sim. É dessa maneira que eles nos colocam algum medo, para que a vida depois não o faça sob riscos maiores. Pois o menino precisa aprender a ter coragem desde cedo.

Obrigada por tudo, Pai. Pois quando eu demonstro não ter mais forças (como nos últimos tempos), você consegue me mostrar que é preciso, seja como for, passar por cima de tudo, já que a vida não vai ser sempre do jeito que eu quis, e a única certeza é essa. A vida como ela realmente é, sem choro nem vela, como diria no popular. Mais do que colo, lição. De quem já caiu muito e ainda assim consegue ter força para me manter cada vez mais em pé depois de cada tombo, custe o que custar.

E é exatamente assim, com esse seu jeitinho, que eu te amo.

(Evelise Kowalczyk dos Santos)

sábado, 1 de agosto de 2009

Be strong.

Sim, você partiu. Mas ao fazer isso, deixou mais do que rastros, partiu mais do que em distância. Você conseguiu sair de perto e estar cada vez mais dentro, partir também meu coração (já deveras fragilizado) de saudades. Daquilo que poderíamos ter feito, da vida que tivemos perto um do outro. Sei que é horrível quando nem sequer se tem alguém para sentir saudades, porém ter alguém e não poder matá-las, dói infinito. Não é questão de ter alguém por perto e ter que conquistar. É lutar contra o mundo e perceber como somos grão de areia, afinal. Isso que ainda me sinto grande.

Dizem que existem cinco fases da dor. Pois bem, começando pelo estágio da raiva, posso dizer que era sofrível olhar para nós e saber que teríamos de nos separar, no aeroporto. Só conseguia chorar e me perguntar porquê. Foram dias de choro nessa indagação. Vencido isso, entrei no famoso estágio da negação, quando tentava, em meio aos vestígios seus, convencer-me de que não podia ser verdade, e que você voltaria logo logo, como naqueles contos de fada mesmo entende? Contudo, percebi que isso não ia acontecer tão logo, e então veio o estágio da barganha, em que tentei negociar (em pensamento) com o tempo, com Deus, para me convencer de que seria rápido, que o tempo nem passa tão devagar assim. Ao perceber que se tratava de mera ilusão, cheguei ao estágio da depressão, e torna-se um pouco desnecessário dizer que meu ânimo sumiu. Qualquer coisa me irritava, qualquer coisa era motivo pra querer sumir. E vai ver eu sumi mesmo, no mesmo momento em que você se foi. Espero até hoje, mas a alegria são apenas flashes, diante desse inv(f)erno que debilita e não acaba nunca. Bom, quanto ao estágio da aceitação, quem sabe eu possa falar depois, porque ainda vacilo ao aceitar tanta coisa que, enfim.

Sei que desde aquele dia (exatamente um mês atrás, falando a verdade), confundo-me em tanta coisa que já não sei o que é meu daquilo que você deixou em mim. Oscilo bruscamente diante de sentimentos que nunca nem tinha visto antes, o que só desnorteia minhas tortas decisões ainda mais. Sou grossa quando deveria ser amável, permaneço inerte quando deveria me emocionar. Acabo sendo egoísta de tanta dor, enquanto você consegue superar qualquer patada e me fazer te querer ainda mais, como quando postou aqui, sem qualquer explicação. O que só me encantou ainda mais. Atrapalhada que sempre fui, sigo sem previsões, sem explicações plausíveis, sem me deixar levar para qualquer lugar onde não possa existir saudade. Acho que muitas vezes acaba reverberando em você também, desculpa. Mas triste mesmo seria se o nosso futuro não fosse tão lindo. E disso eu tenho certeza. Porquê se o 'passado' consegue evocar no presente tamanha necessidade de estar junto, imagina quando os nossos presentes estiverem devidamente alinhados. Amor.

(Evelise Kowalczyk dos Santos)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Um dia a mais, um dia a menos

Faz um tempo desde que parti. Quase um mês para ser mais exato. Preciso admitir, não tem sido fácil, nem um pouco. Começou no aeroporto, pode ter certeza, que passar por aquela porta foi a coisa mais difícil que já fiz. Desde lá só piora. Tudo que eu faço me lembra você. Toda vez que ouço o telefone tocar imagino que poderia ser você. Escuto as nossas músicas, as músicas que nós ouvíamos e cantávamos juntos. Só que dessa vez não consigo cantar, não consigo pensar em nada a não ser no buraco que ficou em meu peito. Às vezes me pego olhando pro céu. Começo a imaginar o que você está fazendo. Difícil saber, mas não importa o que esteja fazendo. Eu sinto que você também está pensando em mim. É o que me basta para me fazer sorrir.

Ainda sinto seu cheiro, seu gostinho. Deus, como você me faz falta. Era tão mais fácil antes de conhecer o calor do seu abraço, o conforto do seu colo. Não há nada nesse mundo que me faça sentir melhor. Alguns dizem: "Eu sei pelo que você está passando", mas ninguém sabe. Nem eu sei direito ainda. Tento me recompor, mas falho. Sinto-me sufocar com tamanha saudade. Falta-me ar. Já perdi a conta de quantas noites mal dormidas, de quantas vezes li e reli as coisas tão lindas que você escreveu. Não me importo se começa a escorres lágrimas, porque posso estar triste, mas choro de felicidade por ter você. Afinal, "Nenhum contratempo se compara à alegria que me provocas, e à felicidade que sinto toda vez que penso em ti". Sinto sua falta, meu amor, e muita.

(Marcos Corção)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

completely broken.

Não dá para explicar muito bem, mas... sabe quando aquela pessoa super especial - pela qual você daria a sua vida - decepciona até a sua alma? Pois bem, eu pensei que não aconteceria comigo. A pergunta que fica é: "Como é que eu não confiaria em uma pessoa com a qual nasci junto?" Quanto à resposta, careço de ajuda. Pereço de ajuda, morrendo por dentro sem saber como se dá uma coisa assim. De que valem todas as vezes que você defende a pessoa amada (mesmo quando ela não tinha razão) acima de qualquer coisa, se quando é a vez dela, você é atacada por todos, e o pior, com a ajuda dela?

Como eu comecei dizendo, não dá pra explicar. Dói de um jeito sem explicação mesmo. Corroendo meus pensamentos e sentimentos em busca de uma resposta que não vêm, não virá. Nessas horas penso que talvez, se a decepção tivesse cor, eu pudesse me pôr de luto por uns dias, por mim mesma. A compaixão e auto-piedade às vezes podem ser surpreendentes sabe. Pena que não me cabem, não me servem. Nada nesse momento poderia explicar tamanho suplício interno.

O pior de tudo: é no momento em que eu tento ajudar, que recebo o ataque. Só que o problema é que não há como se defender se você não esperava ser atacado. Inerte, é como fico. Não há como eu ter previamente me preparado para contra-atacar alguém que amo tanto. Não obstante, sofro. Por não poder atacar, por não saber me defender de tamanha crueldade. Depois de tudo só me resta o choro, junto com a risada daquela pessoa que deveria evitar que minhas lágrimas caíssem, acima de todos. Inexorável, é como eu definiria a situação. É triste, mas quem sabe seja bom eu me acostumar. Portos seguros também têm seus interesses, e talvez eu não seja mais prioridade da minha própria irmã.

(Evelise Kowalczyk dos Santos)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

untitled.

A névoa baixa, o coração se acalma, e a mente tenta se acostumar - novamente - à idéia de distância constante. Tudo muito bom, tudo muito bem, até que eu encontro uma carta sua escondida propositalmente nas minhas coisas. E vou contar uma coisa: basta isso. É o que destrói dias de adestramento cognitivo e emocional, por sua aparente irracionalidade e inerente demonstração de proximidade, contrariando tudo que já pensei para tentar superar tanta vontade, tanta saudade de você.

Sabe, eu já aprendi a driblar o choro um pouco, mas ainda não sei como desviar pensamentos que, invariavelmente, fazem-me chorar sem fim, sem a capacidade de tentar convencer a mim mesma de que não é o melhor remédio. Porquê, afinal, muitas vezes os meus conceitos de doente, doença, e remédio, não conseguem saber se relacionar/equacionar perfeitamente a nós, à nossa distância, e ao nosso amor. E dói descomunal, assim como ele.

(Evelise Kowalczyk dos Santos)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Sobretudo, hay que tener fuerza.

Já não sei como agir quando toda aquela certeza ameaça me deixar sozinha. É um breu de tamanhas proporções, que sequer vejo possibilidade de saída. Claro que tenho certeza de tudo, temos certeza em nós. Porém percebo, que mesmo dentro da alegria e da certeza, a tristeza sempre faz de tudo pra atrapalhar. Naquela palavra desnecessária (ou a falta dela), naquele gesto indiferente, tudo por medo, tudo por tristeza. Aquela vontade doida de chorar o mundo inteiro até as próprias lágrimas cansarem de descer. E doer.

Nessas horas, é mais que respirar fundo, é mais que me controlar. É ser alguém que eu não sou. Porquê aqui dentro tudo pulsa tão intenso, mas ante à mínima reflexão sobre o futuro, só me engasgo. De amor, de vontade de nunca mais ter que dizer adeus, de tudo. Saudade do futuro, saudade do recente passado, saudade do presente. Saudade do teu abraço forte que me diz que tudo vai ficar bem, escondido aí na tua casa enquanto esperamos amanhã para nos ver outra vez.

Não quero imaginar como vou acabar lidando com a distância. Na verdade tem muita coisa que me corrói por dentro sem parar e eu sem percerber. Só que ando mentindo pra mim mesma, achando que de repente tudo pode se ajeitar para nós, assim, num passe de mágica mesmo. Quando no instante seguinte, dou-me conta de que não vai acontecer. Desabo.

Sei que nada disso devia me acontecer, e que é meio egoísta falar assim sendo que você sente a mesma coisa e me ajuda ao invés de também demonstrar fraqueza. E desde o começo sabia que ia ser assim, sabíamos. Mas só não imaginava que podia sentir tanto. Tudo. Um mundo inteiro de sentimentos multiplicados aqui dentro.

Mas depois de pesar tudo isso, eu me dou conta de que nada doeria tanto se não fosse real. E sei que até pouco tempo atrás preferia viver um mundo utópico, ameno. Indiferente, era como me sentia em relação à tudo isso de agora. Não mais. Só depois dessa luz toda, consigo vizualizar a maestria da vida, em que pude me colocar finalmente vivendo, e não existindo. E afinal, apesar de qualquer coisa, sei que estarás comigo. Obrigada por ter aparecido (e por ter que ir embora) quando eu mais precisava. E apesar do choro, continuo feliz, mantenho-me confiante.

(Evelise Kowalczyk dos Santos)