Às vezes nos deparamos com aquele menininho medroso do
mundo que corre pro pai e/ou mãe à todo instante, e toda vez que chora, os condiciona a agir da maneira que lhe agrada. Muitos ficam brabos, estarrecidos com a situação de mimo, e há gente que até critique esse tipo de comportamento
de ambos. A questão aqui não é discutir a validade de tudo isso. É admitir que, como quem não quer nada, pode ser enxerguemos esse menino por toda parte, em todo mundo, e na gente mesmo. O duro, afinal, não é admitir que ele está ali. O realmente difícil é aceitar que somos tão apenas o reflexo dele em um corpo mais desenvolvido. E para isso, só é preciso sentir um fiapinho (por mínimo que seja) de insegurança. Nada demais.
Claro que quando é com a gente a coisa muda de perspectiva. Sentimos o que sentimos porque o mundo é mal (as pessoas então nem se fala), as responsabilidades são muitas, a correria é constante, o
tempo é escasso, e a vontade de sumir precisa mesmo vir e nos fazer covardes por uns momentos. Todos os argumentos muito bem inter-relacionados, eu diria. Só que a grande verdade é que estamos diante do menininho outra vez. Seja por que pseudo motivo for, a gente acaba sempre se escondendo atrás de medos consecutivamente, na fútil tentativa de tapar um com outro. Acontece que enquanto o menininho não conseguir crescer, quem cresce é o
medo dentro de nós, e é aí que nos precipitamos, cometendo todos os erros que o mundo não esperava. E pode acreditar, ele vai devolver.
Enquanto ele não devolve, não adiantar lamentar, chorar, espernear ou gritar. Nada muda o fato de que o destino é inexorável. Só que não é questão de apenas colocar as coisas no lugar. O que realmente precisamos aprender a fazer, é nos desvenciliar de tudo que não traga fé. Talvez nessa hora entrem os nossos pais, outra vez. A mãe, no acalento e força incondicionais que oferece, e o pai, na incansável vontade de nos mostrar o que fazer (por mais difícil que nos pareça), ao invés de entregar tudo 'consertado', ensinando assim essa pobre criança a lidar com os próprios problemas.
Nesse dia, preciso muito ressaltar que apesar de qualquer coisa, o comportamento de um pai se sobrepõe no que compete à independência do menino. Porém, depois de algum tempo conseguimos enfim vizualizar que a dureza da figura de pai nunca é para machucar, nunca será para prejudicar. É que ele sempre quer ver o menino forte, sem medo diante da vida, para que um dia possa voar sem ele, e o mais importante de tudo: sem cair. O que sempre nos pareceu insensibilidade era, afinal, um pouco de proteção, e talvez até medo também.
Quer dizer que os pais parecem mais durões pois querem simular as dificuldades pelas quais vamos passar na vida? Bom, cheguei à conclusão que sim. É dessa maneira que eles nos colocam algum medo, para que a vida depois não o faça sob riscos maiores. Pois o menino precisa
aprender a ter
coragem desde cedo.
Obrigada por tudo, Pai. Pois quando eu demonstro não ter mais forças (como nos
últimos tempos), você consegue me mostrar que é preciso, seja como for, passar por cima de tudo, já que a vida não vai ser sempre do jeito que eu quis, e a única certeza é essa. A vida como ela realmente é, sem choro nem vela, como diria no popular. Mais do que colo, lição. De quem já caiu muito e ainda assim consegue ter força para me manter cada vez mais em pé depois de cada tombo, custe o que custar.
E é exatamente assim, com esse seu jeitinho, que eu te amo.
(Evelise Kowalczyk dos Santos)